Refracções

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Julgamento


- O Julgamento vem aí!

Brada o salteador enquanto se esforça por dominar a sua montada em fúria confusa, fustigado pelos ventos arenosos do cimo do planalto.

- O Julgamento nunca partiu! - retorquiu áspero e seco o seu opositor, do fundo do vale desolado, consciente.

Os seus seguidores entreolham-se com medo contiguo, debatendo-se com a tempestade, enquanto o bandido se compõe e foge.


Não será uma redundância chamar "um" julgamento final, quando todos os dias somos julgados?

Julgados pelo pequeno e pelo grande desafio, pela pequena e grande mudança, que nos faz crescer e que nos consome no processo.

Um julgamento não é nada mais que um grão no areal da existência.


segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Liberdade

"A nossa liberdade pessoal define-se pela nossa escolha do necessário e acessório."

Muitas vezes nos prendemos e consideramos necessário aquilo que não o é. Criamos dependências que só fazem sentido no nosso entendimento.

Abrimos a porta de uma cela invisível...

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Preâmbulo...

"If it hurts you're doing it all wrong!"

A common phrase heard in numerous occasions... born from both care and impatience. But though the words might be overused, they still retain their meaning.

In most things in life, if it hurts to do what you are trying, you should try another approach.

One that brings you the freedom you need, and takes the pain you've curled up with.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Preâmbulo...


"A vaidade é uma ilusão professada pelo tempo."




quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Pedaços...

Quando o cristal
do mais fino
e natural recorte
que trazemos
em nós,
nas nossas mãos,
se parte...
o que fazer?

Juntar os pedacinhos
que se vêem
e se podem tocar,
entre nossos dedos...
e tentar-lhes devolver
o pouco brilho
que lhes resta?

Deixá-los no chão,
como quadro perfeito,
dramático e real,
de um sonho que se fez
e em um instante brutal
se desfez?

Ou...
de entre todas as contas
brilhantes e estáticas
adornando o chão,
escolher as menos ameaçadoras,
as que impondo o risco
não arriscam as nossas mãos?

Mais uma pequena destruição
num mundo violento e animal,
efémero,
quente e frio,
doce e amargo.


Num mundo comandado pela vontade (ilusória), impõe-se escolhas...

Escolhas, algumas, capazes de estilhaçar a nossa alma, e nos deixar quebrados.

Quebrados em pedaços que só o tempo pode colar, sem nunca esconder as suas falhas.




segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Uma lição...

Como um romance folheado ávidamente...

O que foi já não é.
E o que é, 
não será mais...



quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Lágrimas

Uma,
outra

e outra.


Nascem sentidas,
escorrem pela face
e caem desarmadas

no chão.

Pequenas,
insignificantes

e dolorosas,
como as penas que carregam.

Cada sentimento
em água bordejado
conta a sua desdita.

As aventuras
e desventuras
do resto que sobreviveu.


São lágrimas...
gotículas de água
deslizando a contragosto
pela face de quem sofre
a sua mágoa incontida.

Por um motivo ou por outro, toda a gente chora, toda a gente sofre.

Pelo mais altruísta dos motivos, ou pelo mais egoista dos sentidos.


Mas a lágrima aflora, escorre e cai no mesmo solo nu e desarmado.

Uma após outra... e outra... e outra...

Até o cansaço se apoderar, o fluxo secar e os olhos se fecharem.

Ou até o coração bater mais forte, e a tristeza ser atirada para trás do capote.

Mas... apesar de toda a variação, há uma constante...

A lágrima que cai.


Jeust